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Fusões no Cinema

Imagem e(m) movimento. Cinema e(m) António Aragão

Bruno Ministro
CLP, Universidade de Coimbra
CIAC, Universidade do Algarve

28 de Novembro 2020 | 15h20

Poeta, escritor, pintor, escultor, historiador, arquivista, entre outras das suas inúmerasatividades artísticas e profissionais, António Aragão (1921-2008) foi um dos fundadores do Cine Clube do Funchal e, mais tarde, do Cine Fórum da mesma cidade. Elemento ativo nas projeções e discussões sobre cinema na ilha da Madeira, assinou ainda textos de crítica no Comércio do Funchal, periódico de circulação nacional e reconhecidamente anti-regime. Para lá deste seu percurso, é possível detetar na poesia de António Aragão ligações múltiplas com o cinema. Estas, tanto dizem respeito à aproximação às possibilidades significativas da imagem em movimento na expressividade do poema experimental/visual, como surgemenquanto referência e incorporação das linguagens do cinema no corpo dos próprios poemas do autor. Mais do que gestos de citação ou transposição, estas ligações dão a ver— hipótese a desenvolver enquanto argumento principal da apresentação — uma perspetiva crítica da imagem técnica e, com ela, uma apropriação reformuladora das linguagens do cinema e do poema. Assim, a partir de exemplos concretos, procurar-se-á traçar linhas de diálogo entre a imagem em movimento caraterística do cinema e o movimento das imagens descaraterizadoras que marca a poesia de António Aragão.